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Pulmonar

TEP agudo — risco, destino e conduta

Da gravidade clínica à decisão de beira de leito no tromboembolismo pulmonar agudo confirmado.

Seção 1

PESI — gravidade clínica

Estratifica a mortalidade em 30 dias integrando idade, comorbidade e a apresentação. É o insumo clínico da classificação — o corte que as categorias usam não é a classe, é o ponto: 85.

Paciente

A idade em anos é o escore base.

Comorbidades
Sinais vitais

Vital não informado não pontua — um escore com dado faltante é piso, não valor.

Estado neurológico
Alteração do estado mental (+60)

É o maior peso isolado do escore. Deixar em branco não é o mesmo que responder “não”.

Seção 2

Imagem e biomarcadores

É o par VD × biomarcador que separa as subcategorias C1, C2 e C3 — e medir os dois é recomendação COR 1 (§§3.2.3 e 3.2.4).

Calcule o PESI na seção 1 para liberar esta etapa.

Classificação de risco — ESC 2019

Tabela 8: gravidade do TEP e risco de morte precoce (hospitalar ou em 30 dias).

Tabela 8 da ESC 2019. A linha do estrato deste paciente é identificada na coluna de estrato pela marca "este paciente".
Risco de morte precoceInstabilidade hemodinâmicaaPESI classe III–V ou sPESI ≥1Disfunção de VD (eco ou angio-TC)bTroponina elevadac
Alto +(+)+(+)
Intermediário-alto +++
Intermediário-baixo +um positivo ou nenhum
Baixo avaliação opcional; se feita, negativa

Calcule o PESI e preencha a seção 3 para o paciente ser localizado na tabela.

Notas da tabela
a.
Uma destas apresentações (Tabela 4): parada cardiorrespiratória; choque obstrutivo (PAS <90 mmHg ou vasopressor necessário para manter PA ≥90 mmHg apesar de volemia adequada, somado a hipoperfusão de órgão-alvo); ou hipotensão persistente (PAS <90 mmHg ou queda ≥40 mmHg por mais de 15 min, não causada por arritmia nova, hipovolemia ou sepse).
b.
Achados de imagem com valor prognóstico no TEP agudo, ao ecocardiograma transtorácico ou à angio-TC de tórax.
c.
NT-proBNP ≥600 ng/L, H-FABP ≥6 ng/mL ou copeptina ≥24 pmol/L acrescentam informação prognóstica, mas foram validados apenas em coortes e não guiam decisão terapêutica — a coluna é da troponina.

Konstantinides SV, et al. Eur Heart J. 2020;41(4):543-603.

Seção 3

Hemodinâmica e status respiratório

O indicador mais grave prevalece: quem está em choque é categoria E qualquer que seja o PESI. É também aqui que se decide a primeira coluna da Tabela 8.

Apresentação

Achado incidental em paciente assintomático é a categoria A.

Estado hemodinâmico

Sem hipotensão, sem necessidade de vasopressor.

Pela Tabela 4 da ESC, isto não é instabilidade hemodinâmica.

Marcadores de hipoperfusão

Qualquer um destes, sem hipotensão, é o choque normotensivo — categoria D2.

Marcadores de hipoperfusão ainda não avaliados. Sem eles, D2 (choque normotensivo) não está descartado.

Status respiratório

O limiar do modificador R sobe junto com a categoria: o mesmo cateter nasal marca R em C e não marca em D.

Categorias Clínicas de TEP Agudo — AHA/ACC 2026

Figura 2: cinco categorias com subcategorias, mais o modificador respiratório R.

Categorias clínicas da Figura 2 da AHA/ACC 2026. A subcategoria deste paciente é identificada pela marca "este paciente".
CategoriaSubCritério
A SubclínicaA Incidental e assintomático
B Sintomática, escore de gravidade baixoB1 Subsegmentar (única ou múltiplas)
B2 Não subsegmentar (segmentar ou mais proximal)
C Sintomática, escore de gravidade elevadoC1 VD normal e biomarcadores normais
C2 VD anormal ou ≥1 biomarcador anormal
C3 VD anormal e ≥1 biomarcador anormal
D Falência cardiopulmonar incipienteD1 Hipotensão transitória
D2 Choque normotensivo
E Falência cardiopulmonarE1 Hipotensão recorrente ou persistente com choque cardiogênico
E2 Choque cardiogênico refratário ou parada cardiorrespiratória

Calcule o PESI para o paciente ser localizado na tabela.

Creager MA, et al. Circulation. 2026;153:e977-e1051.

Seção 4

Risco, destino e conduta

As quatro perguntas de quem está com o paciente na frente: qual o risco · alta ou interna · se interna, onde · o que fazer agora.

Calcule o PESI na seção 1 — ou marque instabilidade hemodinâmica na seção 3, que dispensa o escore — para liberar esta etapa.

Sobre esta página

Da gravidade clínica à decisão de beira de leito, em quatro seções: PESI, imagem e biomarcadores, hemodinâmica, e a conduta. Vale apenas para TEP confirmado por exame de imagem — os escores usados aqui não foram desenvolvidos para suspeita não confirmada.

Duas classificações convivem, e não se confundem. O estrato de risco é o da ESC 2019 (Tabela 8), que é classificação citável; as categorias A-E da AHA/ACC 2026 acompanham como descritor da apresentação e são a fonte das recomendações com grau (COR) e nível de evidência. Quando as duas discordam — o choque normotensivo é o caso típico — a divergência aparece na tela, em vez de ser escondida numa média.

A procedência de cada linha é sempre texto, nunca só cor. O guideline é explícito sobre alta versus internação e deliberadamente silencioso sobre o nível de leito: toda sugestão de leito é nossa e sai marcada como tal.

Um escore calculado com dado faltante é piso, não valor: o cálculo trata ausência como se não pontuasse. Por isso a página nomeia o que ficou sem resposta — inclusive a alteração do estado mental, que vale 60 pontos, o maior peso isolado do índice.

Ref.: Aujesky D, et al. Derivation and validation of a prognostic model for pulmonary embolism. Am J Respir Crit Care Med. 2005;172(8):1041-6.
Ref.: Jiménez D, et al. Simplification of the pulmonary embolism severity index. Arch Intern Med. 2010;170(15):1383-9.
Ref.: Konstantinides SV, et al. 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism. Eur Heart J. 2020;41(4):543-603.
Ref.: Creager MA, et al. 2026 Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism. Circulation. 2026;153:e977-e1051.
Ref.: Zondag W, et al. Outpatient treatment in patients with acute pulmonary embolism: the Hestia Study. J Thromb Haemost. 2011;9(8):1500-7.